Observação das crianças de 4 a 7 anos de idade: seu desenvolvimento e maturidade

Observação das crianças de 4 a 7 anos de idade: seu desenvolvimento e maturidade

O trabalho na Educação Infantil

Justificativa

A Lei 11.114 de 16 de maio de 2005 estabeleceu como obrigação dos pais ou responsáveis a matrícula das crianças a partir dos seis anos de idade no ensino fundamental.

O direito constitucional ao ensino fundamental não é dever somente do Estado, mas também dos responsáveis.

Tais direitos garantidos pela Lei maior passam agora por uma modificação. A Lei Federal 11.114/05 (art. 6.º), bem como a Lei 11.274/06 (art. 32), indicam a obrigatoriedade da matrícula para as crianças de seis anos no ensino fundamental de nove anos.

A extensão do ensino fundamental para nove anos, que na prática significa transformar o último ano da educação infantil no ano inicial da primeira fase do ensino fundamental, significa tirar da criança um ano fundamental no processo da sua maturidade e da sua preparação para o aprendizado escolar.

Será um problema se perdermos a identidade pedagógica dessa etapa educacional. É o último ano da educação infantil (conforme a legislação anterior) ou é o ano inicial do ensino fundamental (como a nova legislação), tanto em relação ao trabalho em sala de aula, quanto à preparação do professor e as instalações físicas.

De qual “primeiro ano” estaríamos falando? Qual o conteúdo pedagógico desse

“primeiro ano”, criado de maneira tão inconsequente e sancionado de forma tão precipitada?

 

Objetivo

Se a criança está madura para o aprendizado escolar, não deveria ser a única questão do professor. Ao iniciar um 1º ano escolar, o professor precisa também se perguntar – se ele está maduro para as crianças.

Esse texto é uma pequena parte de um estudo que tem como objetivo identificar os fatores de risco e de proteção da prontidão escolar em crianças na educação infantil, no preparo para o ensino fundamental.

Para entender o desenvolvimento infantil é necessário saber que fatores interferem nesse processo.

 

Introdução

Na infância, do nascimento aos 6 / 7 anos de vida, a criança está desenvolvendo sua vida anímica, o corpo físico, os movimentos corporais, a coordenação motora, o princípio de sua vida de relações, o pensar, a força imaginativa e criativa, tudo isso através do brincar.

O brincar é a forma da criança se expressar, imitando tudo ao seu redor e trazendo a sua linguagem imaginativa da fantasia.

Em um ambiente da educação infantil é necessário que as crianças convivam com as diferentes idades de 4 a 6 anos de idade, isso possibilita uma verdadeira integração social.

A partir dos 4 anos a criança começa a se localizar espacialmente e memoriza os caminhos de casa para locais próximos, ir e vir, sabendo a direção.

As crianças mais jovens trazem a sua fluidez nas situações de jogos e brincadeiras, os mais velhos trazem a sua direção interior, já elaborando mais detalhadamente as brincadeiras, e os dois completam um ao outro muito bem.

Ao oferecer atividades para as diferentes idades num jardim de infância, podemos observar que os mais velhos ajudam os menores quando estes têm dificuldade e os menores admiram os mais velhos.

O ritmo saudável de atividades criativas, artísticas e lúdicas, a postura correta dos educadores, num ambiente que tenha a natureza, com um espaço calmo para as crianças de diferentes idades conviverem, uma boa alimentação e a convivência harmoniosa com as famílias, são pilares para a aprendizagem no jardim de infância.

O sistema neurológico e motor da criança nessa fase se desenvolvem através da movimentação corporal, dos relacionamentos sociais, do impulso da criança de apreender o mundo e de aprender com o mundo. Por isso a importância do cuidado com os diferentes estímulos externos que afetam e formam todos os órgãos internos da criança. As crianças deveriam ficar na educação infantil até completarem os 6 anos de idade, para que possam se desenvolver saudavelmente em todas as suas necessidades.

Entre o sexto e sétimo ano de vida, a criança encerra uma etapa importantíssima de todas as conquistas, que serão o alicerce do aprendizado futuro. O respeito por cada etapa do desenvolvimento da criança, sem acelerar, resulta na organização essencial do seu corpo físico, para que este possa apoiar a organização de uma vida independente que está se desenvolvendo.

Essas forças, que estavam em grande atividade na criança durante sua maturidade corporal e social do nascimento até os 7 anos de idade, são então liberadas para o aprendizado.

Completando 7 anos de idade no primeiro ano escolar, a criança terá mais probabilidade de estar madura para iniciar uma nova etapa de aprendizado.

Pesquisas e estudos mostram as grandes vantagens das crianças que entram no primeiro ano escolar (para a alfabetização) com 6 anos completo, mais maduras em muitos aspectos.

Esses alunos estão mais prontos e apresentam um passo na frente para o aprendizado. Isso é detectado quando terminam o período do ensino fundamental até o 5º ano. Eles apresentam uma melhor compreensão de textos e do raciocínio matemático.

Ficou evidenciado em estudos, que crianças alfabetizadas mais tarde alcançaram melhores resultados, do que os testes com crianças alfabetizadas mais cedo. Os mais velhos simplesmente estão mais prontos e conseguem se concentrar melhor. Apresentam uma melhor organização e capacidade de lidar com experiências negativas e de desafios.

 

Fatores que Influenciam o Desenvolvimento da criança:

As influências do meio, tanto as do ambiente interno (aspectos biológicos e psicológicos) como as externas (ambiente social), começam atuar mesmo antes do nascimento e continuam durante toda a vida do ser humano:

 Crescimento – trata-se do aspecto quantitativo das proporções do organismo, das mudanças nas dimensões corpóreas, como peso, altura, perímetro cefálico, etc.

Desenvolvimento – trata-se das mudanças qualitativas, como aquisição e o aperfeiçoamento de capacidades e funções, que permitem à criança realizar coisas novas, com mais habilidades e cada vez mais complexa.

 Maturação – é como ocorre a mudança e o crescimento na área física e psicológica do organismo infantil. Junto a essas mudanças, existem fatores transmitidos por hereditariedade, que constituem parte do desenvolvimento da criança. Existem as características e tendências que a criança traz ao nascer, seja física ou psicológica.

 Aprendizagem – é a mudança constante do comportamento e da conduta, que se realiza através do que se experiência e da repetição. Depende de fatores internos e externos, de condições psicológicas e ambientais.

Toda aprendizagem depende da maturação, relacionada às condições orgânicas, psicológicas e das condições ambientais (cultura, classe social, etc.). É oportuno lembrar que se a criança não está madura para executar uma determinada atividade, não poderá aprendê-la, pois não disporá de condições para a sua realização.

É através da aprendizagem, que o homem desenvolve os comportamentos que o possibilita viver. Atualmente, estudiosos afirmam que este processo se inicia mesmo antes do nascimento.

Podemos afirmar que, em termos práticos, a prontidão escolar pode ser observada na criança quando ela é capaz de realizar, participar, criar, ser sociável, se comunicar, com sucesso, dento das suas capacidades, em tudo que é oferecido pela escola e pela família.

Os principais sistemas de suporte, com que a criança conta para se desenvolver e enfrentar as dificuldades, são a família e a escola.

 

Aspectos para a observação da criança de 4 a 7 anos de idade, na avaliação da sua prontidão para o aprendizado:

Participação – No ritmo do dia a dia. Nas atividades propostas. Demora a mudar de atividade.

Conquistas – Os passos que a criança deu nos desafios propostos, nas atividades do dia a dia. Aquisição da autonomia.

Alimentação – Quantidade. Restrições. Preferências. Mastigação. Digestão.

Hábitos – Higiene. Controle do esfíncter. Autonomia.

Atividades – Desenho. Pintura. Modelagem. Trabalhos Manuais. Afazeres na sala. Arrumar e ajudar. Coordenação fina. Como participa em cada atividade.

Brincar dentro da sala – Preferências. Criativo. Como brinca. Como se relaciona. Participação.

Brincar fora no pátio/parque – Preferências. Coordenação motora/corporal. Agilidade. Amadurecimento sensorial.

Ouvir Histórias – Fica tranquilo. Consegue ouvir as histórias. Concentração. Entra nas imagens das histórias – Reconta. Memoriza.

Linguagem – Sua expressão. Vocabulário. Pronúncia. Construção de frases. Voz nasal, oral. Retraído ou Extrovertido. Recitar versos. Cantar com facilidade ou dificuldade.

Social – Poucos ou muitos amigos. Fixa-se numa criança. Relaciona com todos. Relacionamento com os professores e adultos. Retraído ou Extrovertido. Humor.

Música – Canta. Memoriza as canções. Está atento. Voz mais aguda ou grave. Gosta de cantar. Segura uma nota mais tempo no final de uma música. Começa a se tornar consciente no domínio do ritmo.

Sexualidade – Acordada ou não.

Sono – Dificuldade para adormecer. Como vai dormir. Possui algum ritual para dormir. Choro. Pesadelo. Chega cansado ou bem acordado na escola. Enurese noturna.

Dentição – Quantos dentes nasceram. A segunda dentição.

Lateralidade – A tendência. Está definida a lateralidade.

Motricidade grossa – Jogar bola. Pular corda. Andar. Correr. Nadar. Varrer a sala. Guardar os brinquedos. Subir em árvores. Pisa na ponta de pé. O equilíbrio. Agilidade.

Motricidade fina – Como pega os lápis. Como segura os talheres. Como costura. Faz trabalhos manuais. Tem agilidade nas mãos e pés.

Geografia corpórea – A movimentação do corpo pelos ambientes. Tropeça. Sobe e desce com facilidade. Locomove-se sabendo a direção. Balançar sozinho. Nadar. Andar de bicicleta. Pular corda.

Postura – Como se senta. Consegue pegar algo no alto. Como se coloca na mesa para comer. Como pega algo do chão, se inclina ou se agacha.

Saúde – Doenças infantis. Gripes. Alergias. Visão. Audição. Alguma dificuldade, limitação.

Constituição familiar – Pais separados ou não. Participação dos pais na vida familiar. Pontualidade e frequência da criança na escola. Relacionamento dos pais com a escola.

 

Constituição, Desenvolvimento e Avaliação da Criança de 4 a 7 anos de idade a ser observada:

A mudança da criança pequena para a criança escolar mostra-se através das transformações em diferentes áreas. A criança escolar torna-se mais independente e então consegue ter mais controle de si e do meio-ambiente e seus desafios.

As mudanças são sinais do processo individual da vida de cada criança, alcançando sua meta principal, que é o amadurecimento dos sistemas neurológico, sensório, rítmico, respiração, circulação e digestão para então começar a se colocar a disposição para o aprendizado e atuar num outro patamar.

 

1. – Âmbito físico:

Itens na observação da maturidade física

Cabeça: tamanho, forma, cabelos, testa queixo, etc.

Olhos

Nariz

Boca, dentes

Pele – cor, calor, úmida ou seca.

Ombros, costas, quadris.

Membros – braços, pernas, mãos, pés (proporção).

Respiração

 

A constituição física a qual o médico, o professor e a família devem estar atentos é algo hereditário aonde não podemos influir conscientemente e diretamente.

O corpo infantil típico, rechonchudo, começa afinar e a esticar aos 4/5 anos de idade. Os braços e as pernas se alongam e os dedos se afinam. As mudanças físicas são acompanhadas por um período de comportamentos estranhos e diferentes dos que conhecíamos da criança até então. Ela pode ser esclarecida através de alguns sinais, que gostaríamos de relacionar abaixo:

 

Postura – conformação física

A mudança da criança pequena, que expressa as suas relações e aprendizados através do brincar, para a criança escolar, mostra-se em geral através da transformação da sua postura – na sua conformação física. A criança escolar perde sua forma redonda e torna-se mais esbelta e longe línea.

Não tem mais as mãos arredondadas da criança pequenina, a sua a barriga se achata, a forma de toda a sua constituição física se torna mais delineada. A criança então consegue ter mais controle dos movimentos corporais, se apossa do seu corpo.

Esta mudança é o sinal que as forças formativas que atuaram no desenvolvimento corporal durante os primeiros 6/7 anos de vida da criança, alcançam o amadurecimento do sistema neurológico, então agora podem começar a se colocar a disposição para o aprendizado e atuar num outro patamar.

 

Dentição – formação e troca

Na etapa dos 6 a 7 anos de idade, encontramos também na conformação física, a troca dos dentes como um sinal do amadurecimento da criança. A formação dentária foi concluída com 24 dentes de leite, de modo que se inicia a troca dos dentes de leite para os definitivos.

Para muitos alunos do 1º ano escolar, os dentes de leite ainda estão firmes, para outros estão moles ou já caíram, de modo que os novos dentes já podem ser vistos. Isto varia de criança para criança.

A mandíbula se alarga e nascem os molares permanentes. Os dentinhos incisivos se afrouxam e já se formam os dentes novos. Este processo de dentição dura alguns anos, geralmente dos 6 aos 9 anos.

Para a maturidade escolar é fundamental que, pelo menos, os molares de trás tenham rompido. Mas há casos em que os incisivos são trocados em primeiro lugar antes dos molares.

 

Lateralidade – Coordenação Motora

Itens na observação da maturidade motora

-Caminhar para frente sobre uma tábua, se equilibrando.

-Saltar rapidamente.

-Balançar em balanço começando e sustentando o movimento.

-Abrir os dedos tocando o polegar em cada dedo.

-Subir degraus de escada íngreme.

-Bater com martelo em prego.

-Usa apontador de lápis.

-Segurar bola macia ou saco com areia com uma das mãos.

-Pular corda sozinha.

-Bater numa bola com bastão ou vareta.

-Pegar e atirar uma bola grande.

-Apanha objeto do chão enquanto corre.

-Escorrega com os pés numa superfície lisa.

-Andar de bicicleta.

-Caminhar ou brincar na água até a cintura, na piscina.

-Dirigir um patinete dando impulso com um pé.

-Pular num pé só.

-Pula de altura de 2 a 3 degraus e cai sobre os 2 pés.

-Permanece num pé só, sem apoio, com olhos fechados, durante alguns segundos.

-Segurar por alguns segundos numa barra horizontal, apoiando o próprio peso nos braços.

-Saltar como um coelhinho (os dois pés juntos).

-Andar habitualmente em padrão cruzado (balançar o braço oposto ao pisar com um dos pés).

-Subir as escadas alternando os pés em cada degrau.

-Fazer nós ou, algumas vezes, laços; abotoar ou fechar com zíper da própria roupa.

-Usar os dedos habilmente (costura, tricô de dedo, brincar com jogos de dedos, etc.).

-Ter estabelecido controle dos olhos e mãos.

-Não ser agitado demais nem letárgico.

-Apertar as mãos com o dedão separado dos demais dedos ao invés de oferecer a mão toda.

-Ir da sua casa até uma casa próxima e voltar.

Se as mudanças de conformação corporal e as trocas de dentes são sinais visíveis, a lateralidade é algo mais oculto. Alguns exercícios dados às crianças podem mostrar se ela está definindo a sua lateralidade ou não:

-Com que mão a criança desenha, segura a escova ou o lápis, ou joga bola?

-Qual o pé que escolhe espontaneamente quando pula, sobe um degrau, ou chuta uma bola?

-Em que orelha a criança coloca a concha do mar para escutar seu ruído ou leva o fone do telefone?

-Com qual olho olha através de um caleidoscópio, monóculo (feito de papel em forma de um tubo) ou telescópio?

Através destes exercícios (em forma de brincadeira, com imagens) pode se ver como está a lateralidade da criança. Quando a cada exercício acima citado, ela usa um lado e depois o outro (o direito ou o esquerdo), existe um cruzamento. A criança deveria sempre trazer um lado só em todas as ações propostas acima. Isso mais tarde poderá ser trabalhado de forma lúdica, para desenvolver a dominância, do esquerdo ou da direita.

A criança vai nos mostrar que já escolheu sua preferência. Ela vivencia o seu lado direito ou esquerdo de formas diferentes. Ela deve diferenciar sua mão direita da esquerda, assim como diferencia o lado direito e o esquerdo nas formas das letras, como no exemplo das letras “d” e “b”. Por isso a importância da lateralidade estar definida, pois atua em todo o aprendizado da leitura e da escrita.

Através dos relatórios dos professores da educação infantil, percebe-se que a criança já não mais possui as mãos desajeitadas e nem quer mais brincar tanto em construções com blocos e outras brincadeiras sem uma meta, ela já se interessa por tarefas definidas às quais quer terminar.

Comparando os resultados dos exercícios com a avaliação da maturidade corporal, temos a conclusão se a criança está ou não pronta para o 1º ano escolar.

Existem crianças que têm um ótimo desempenho em todos os exercícios de lateralidade apresentados, embora o seu desenvolvimento corporal revele uma imaturidade, um corpo ainda bem arredondado, uma conformação mais indefinida. Se estas crianças vão para o 1º ano, as forças que deveriam estar atuando na maturidade corporal, serão usadas para o aprendizado. O que acontece é um comprometimento em sua saúde e consequentemente um fraco desenvolvimento na aprendizagem.

A prática tem mostrado que em casos de dúvida é melhor esperar mais um ano e deixar as crianças mais tempo na educação infantil.

 

Idade – Maturidade

Podemos ver de forma mais completa o desenvolvimento de cada criança ao trazermos todas as informações da conformação corporal, troca de dentes, lateralidade em cada criança. Podemos ver que os meninos se desenvolvem mais devagar do que as meninas.

As meninas em geral estão de 2 a 4 meses na frente. Então devemos levar isso em consideração também na avaliação da maturidade de cada criança.

O exame de maturidade do desenvolvimento físico é complementado pela observação do professor no âmbito anímico e social. Aqui não existem sinais visíveis. Além do mais a criança poder ser intensamente influenciada por acontecimentos no seu cotidiano e dar assim uma imagem errada.

Nessa idade a criança tem um desenvolvimento físico intenso, completando o amadurecimento do cérebro. È um momento bem delicado, pois pode afetar sua autoestima, se ela for forçada num processo de aprendizado precoce.

Crianças que estão muito adiantadas na escola desde cedo, ficam mais ansiosas, se sentam desprotegidas. Estar numa série mais à frente, expõe a criança não só a conteúdos mais avançados e também a exigências, que podem trazer uma tensão.

 

2. – Âmbito anímico:

Itens na observação da maturidade anímica

• – Gosta de ajudar.

• – Sorri. É manhoso.

• – Faz coisas escondidas.

• – Tem medos.

• – Comportamento social. Relacionamento da criança com a professora, colegas e família.

• – Limites. Obedece às ordens, participa das atividades propostas, entra nas rodas e nas imagens e nas histórias, participa do ritmo diário, tem horário em casa para dormir e comer.

•- Capacidade de desenvolver uma atividade do começo ao fim.

•- Tem força de vontade, participa das arrumações.

•- Lida com frustrações.

•- Veneração – entra nas imagens propostas. Que imagens ela traz no dia a dia, imagens agressivas ou alegres. Como se relaciona com os adultos.

•- Como brinca, que imagens trazem, criam, participam do brincar em grupo.

- Aceita as propostas dos colegas, participa de brincadeiras em grupo.

•- Tem bastante ou pouca Fantasia. Que imagens traz no brincar e nos desenhos, entra nas imagens das histórias.

•- Imita com facilidade, entrado nos movimentos, nas imagens e nas atividades. Aprende com facilidade, refaz uma atividade, ouve, reconta.

Há os casos aonde existe a maturidade física,  e o professor observa a imaturidade anímica e social da criança. Pode ser uma criança que teve poucas oportunidades de brincar, de estar com mais crianças, que nunca teve a oportunidade de realizar tarefas simples por si mesmo. Essa criança tem dificuldades de conquistar a autonomia e a maturidade no âmbito social.

Ela não consegue seguir, copiar, imitar e tem dificuldade de fazer coisas que não gosta. Uma criança assim poderia ter dificuldade para prestar atenção em classe durante as aulas e de se inserir no contexto social de um grupo maior com mais desafios. Por isto é importante olhar as observações dos professores da educação infantil e também o quadro que a criança apresentou nos últimos tempos.

A partir do quinto ano de vida, crianças passam a dar um crescente valor à amizade. O período entre cinco e seis anos de idade é marcado pelo desenvolvimento psicológico da criança. Esta continua a se desenvolver fisicamente, lenta e gradualmente, mas acima de tudo elas se desenvolvem e amadurecem socialmente, emocionalmente e mentalmente.

A maioria das crianças por volta do quinto e sexta ano de vida já aprenderam regras e padrões de comportamento básicos da sociedade. Elas aprendem então a discernir se uma ação é certa ou errada. A vida social da criança passa a ser cada vez mais importante, e é comum nesta faixa etária o que se chama “de melhor amigo”. Além disso, a partir dos seis anos de idade, as crianças passam a se comparar com outras crianças da mesma faixa etária.

Estes dois fatos, aliados ao crescimento da vida social da criança, diminuem o papel central dos pais e da família como modelos de comportamento da criança, e começa a aumentar a importância dos amigos e dos professores.

Antes da troca dos dentes, a força que predomina no relacionar-se com o mundo ao redor é prática, direta, imediata. Podemos chamá-la inteligência prática, espontânea. Esta inteligência já funciona quando o cérebro ainda não tem a estrutura linguística para a reflexão ou assimilação racional.

Vendo que a inteligência prática, volitiva, é a primeira atividade inteligente à nossa disposição para aprender da vida, devemos concluir que tudo que tem a ver com a vida prática é o que forma o ser humano no primeiro setênio da vida.

 

3. – Âmbito cognitivo:

Itens na observação da maturidade cognitiva

-• Atividades – Consegue fazer uma atividade, repetindo o que observou. Consegue se concentrar. Refaz no outro dia o que aprendeu anteriormente.

-• Observador – Consegue descrever o ambiente, o seu dia.

•- Relação com o tempo – noção de passado, presente e futuro. O que aconteceu ontem e o que vai fazer depois.

•- Memória – Grava um fato. Gosta de recontar uma história. Fala do que fez ou fará. Reconta uma atividade do dia anterior.

•- Linguagem, fala – Expressão. Vocabulário rico. Expressa com sentenças mais longas ou curtas. Traz ordem na fala. Gagueja. Voz fina ou rouca. Fala fluente e claramente e pode expressar ideias de forma fácil e completa.

-• Expressão – Estrutura frases com uma sequencia lógica. Tem um bom vocabulário. Traz sentido ao recontar algo. Tem facilidade em se expressar.

-• Humor – Adora humor, versos com humor, rimas, brincadeiras com palavras e de adivinhações.

•- Segredos – Gostam de cochichar, ter segredos (distinção entre interior e exterior).

•- Sonhos – Podem gostar de falar sobre seus sonhos (a criança consegue dar um passo para dentro de si); consciência da vida interior e exterior.

•- Pensamento causal – Desenvolvimento do pensamento causal (por exemplo: “Se eu amarrar estes barbantes juntos, meu sapato não irá sair do pé”).

-• Verbos – Uso correto dos tempos verbais (presente, passado e futuro).

•- Planos – Gosta de planejar.

•- Concentração – Pode se concentrar em uma tarefa escolhida por dez a quinze minutos.

•- Formação de imagens: não depende de objetos nas brincadeiras; é capaz de visualizá-los (por exemplo, pode construir uma casa e depois, ao invés de juntar pratos, comida, etc., pode simplesmente “mencioná-los” durante a brincadeira).

•- Conversações e discussões – entre as crianças tornam-se importantes para elas.

•- Aparecimento de questões “reais” – ao invés do constante “Por quê?”, típico das crianças mais novas.

 

A criança de 5 a 6 anos já deveria conseguir fazer uma representação mental com bastante clareza. Apresentarmos um quadro de uma praia e depois pedimos que nos conte o que viu.

A criança madura começa com o termo geral sobre o quadro “praia”, enquanto que a imatura começa pelos detalhes. É também importante que a criança madura consiga depois trazer os detalhes do quadro. Ela deve mostrar a capacidade de copiar formas diferentes, que lhe são apresentadas. Deve conseguir ouvir vários relatos dos colegas e perceber que estão dentro de um mesmo tema.

As crianças gostam de exercícios táteis. Podemos dar a eles um cesto cheio de ervilhas, castanhas e feijões para que ela os separe. Mostrando a sua percepção sensorial e cognitiva. Podemos pedir a criança para trazer um regador, um vaso, um pote e uma vela. Nessa sequência, ela irá nos mostrar se consegue gravar o pedido e realizar todos os comandos. Cantamos bastante na educação infantil e a criança deveria ser capaz de repetir as canções de cor.

Quando a criança se mostra extremamente interessada e precoce, o teatro de bonecos, no qual ela pode criar personagens e fazer uma apresentação bem elaborada é excelente.

Ela irá se envolver, se entreter e será levada a se colocar em todo o seu potencial, desenvolvendo suas diversas aptidões. O ideal é que uma criança assim tenha muitas atividades criativas e lúdicas. Uma criança assim não deve já sentir, com essa idade, que os pais querem que ela seja um “gêniozinho”, ela vai se sentir pressionada e pode regredir no seu desenvolvimento anímico.

Uma criança precoce e inteligente precisa de adultos alegres e de muito humor, para equilibrar sua tendência de ficar no mental. Dê sempre muito afeto e esteja aberto para novas perguntas, sempre respondendo e conversando com ela, sem muitos detalhes explicativos. Há muitas pesquisas indicando um nível de estresse altíssimo nas crianças precoces e isso pode inibir a aprendizagem mais tarde.

Para o aprendizado escolar é dada ênfase à capacidade de resolução de problemas, uma habilidade que é aperfeiçoada com o passar do tempo. Até o quinto ou sexto ano de vida, as crianças muitas vezes procuram resolver problemas através da primeira solução – certa ou não, racional ou não, o que vem à sua mente.

Ela passa a procurar por diversas soluções, e a reconhecer a solução correta ou aquela que mais se aplica à solução do problema. Quanto mais o professor fica atento a todas as atividades e como cada criança se coloca e a realiza, melhor a ideia do que a criança pode ou é capaz de fazer, independente das suas características individuais.

 

4. – Âmbito familiar:

O suporte da família é de grande importância em todo o desenvolvimento da criança.

Quando a escola oferece atividades práticas, alegres e criativas para a família e para a criança, isso promove o fortalecimento da ligação de todos e da construção da confiança. O desenvolvimento saudável da criança está diretamente ligado à participação da família nas atividades com os filhos, tanto em casa como na escola.

Dentro da realidade em que as crianças vivenciam o espaço da escola desde muito cedo, pais, professores e educadores têm se preocupado com a questão da prontidão da criança e a aceleração no aprendizado.

Isso traz à tona o assunto da importância da família na prontidão escolar de uma criança ao viver um processo de ensino e aprendizagem. Os fatores indicativos dentro desse aspecto, na relação família, criança e escola, são os seguintes:

a) se a criança teve contato com pessoas adultas estáveis, que participam da sua vida.

b) se ela esteve exposta a um ambiente físico previsível e seguro.

c) se ela vivenciou rotinas regulares e atividades que apresentaram ritmos em sua vida em casa.

d) se ela esteve em contato com outras crianças fora da escola.

e) se teve contato com materiais que estimularam sua capacidade de explorar e apreciar a natureza e o mundo que a cerca, assim como sua capacidade de obter um senso de controle sobre esses objetos, além do ambiente escolar.

f) se ela foi respeitada em cada etapa do seu desenvolvimento, sem ser acelerada pelos adultos a sua volta.

 

5. – Âmbito das artes:

Itens na observação da maturidade através das artes-

• Desenho – “Eu sabia desenhar como Rafael (pintor Italiano), mas eu levei a vida toda para aprender a desenhar como uma criança – Pablo Picasso, pintor Espanhol.”

-Etapas dos desenhos: das garatujas aos pré-elaborados, com casa, chão e céu, pessoas, natureza e com um enredo.

-Gosta de desenhar.

-Cores preferidas.

-Desenho livre.

-O traçado.

-Uso do lápis ou giz de cera.

-Surge a simetria no desenho, casas simétricas com uma árvore ou flor de cada lado.

-Desenhos simétricos nos quais o papel é dividido em duas ou quatro partes, geralmente em diagonal com a disposição simétrica das cores.

-Faixa de céu acima e da terra abaixo, mostrando que a criança tem a percepção espacial, do que está acima e abaixo.

-Linhas diagonais na folha, como na forma triangular do telhado ou no desenho de escadas.

-As figuras de pessoas e casas no chão, na parte inferior da página, mostrando que ela se situa firme na terra.

 

No desenho da criança de 5/6 anos, ela já determina o que vai fazer antes de começar:

“Agora vou desenhar uma árvore.” Ela tem um objetivo consciente ao fazer um desenho. Desenhos simétricos podem aparecer, formas que se repetem na folha com muitas cores.

Podemos ver uma evolução da forma humana. A criança pequena começa com os rabiscos ou garatujas, como uma continuidade da intensidade dos movimentos corporais.

Depois numa outra etapa enche a folha com círculos e mais tarde os círculos ganham pontos no centro. Então esses círculos são complementados com raios, como dedos que se estendem. Surge então o tronco, como longas escadas. Vemos sua constituição física através do desenho. A estrutura física – cabeça, tronco e membros – começa a se delinear no desenho, quando a criança traz o céu e terra, em cima e embaixo, e o meio com a casa e os detalhes, mostrando sua noção espacial e sua maturidade corporal.

Aos 5 / 6 anos de idade surgem formas triangulares e ela desenha com bastantes detalhes, céu, chão, a casa, pessoas, árvores, tudo com muitas cores. Há a mudança na ênfase dos traçados, as crianças mais novas cobrem as superfícies de cores, as crianças mais velhas querem colorir os objetos, preencher tudo que desenham.

 

• Pintura 

-Tem cuidado com a folha e a pintura.

-Usa mais água ou mais seco ao pintar.

-Que cores gosta mais.

-Gosta de pintar ou não.

-Como se expressa.

 

Na pintura ela traz formas e cores com efeitos especiais. As pinturas se tornam menos “bonitas”, pois as crianças agora querem tentar novas cores e novas formas. Depois se soltam novamente e pintam em harmonia, à medida que a criança descobre conscientemente como misturar e combinar as cores e desenvolver desenhos e formas.

 

• Música 

Rodas, cirandas, aonde todos participam com alegria, cantando, conforme a época que o grupo está vivendo no ano. Durante o ano, os professores organizam as épocas, conforme a estações, as datas importantes e as festas do ano.

“Quem canta os seus males espanta”, ditado popular que traz uma verdade profunda.

Primeiro a criança começa a balbuciar, ouve as pessoas ao seu redor e imita. Ela emite os primeiros ruídos e depois começa a falar com imensa alegria. A criança aprende pela imitação. Ao cantar ela vive a alegria dos sons em harmonia. A música encanta e embala. A música ajuda na concentração, pois a criança gosta e sossega para ouvir. Tudo feito com música envolve, cria um ambiente caloroso. Devemos escolher músicas adequadas para cada idade. Assim como contamos histórias oralmente, também cantamos, sem usar o som de um aparelho, pois a criança quer ouvir a voz humana. As crianças mais velhas do jardim conseguem memorizar as canções e depois repeti-las.

 

• Trabalhos manuais 

-Tem agilidade.

-Consegue se concentrar.

-Faz do começo ao fim um trabalho.

-Consegue se concentrar.

-Gosta dos trabalhos manuais.

-Tem destreza nas mãos e nos dedos.

 

A criança usa os membros de forma mais vigorosa, ela é mais ativa. Ela gosta de mover móveis e tocos pesados, e usa todos os panos e brinquedos disponíveis para as brincadeiras. A criança gosta de realizar tarefas, consciente dos objetivos de que necessita.

 

• Modelagem

-Tem agilidade nas mãos.

-Consegue fazer formas côncavas e convexas.

-Gosta da modelagem.

-Avaliar se usa a argila mais molhada ou mais seca

Apesar da maturidade da criança em diversos âmbitos, devemos observá-la e avaliá-la em todos os seus aspectos e necessidades. Os trabalhos manuais e as atividades artísticas trabalham diversas áreas do desenvolvimento e podem nos dar parâmetros de uma avaliação mais sensível e detalhada.

Na modelagem, seja com a argila ou mesmo quando brincam na terra, na lama, modelando na areia, as crianças na sua natureza se moldam nessas atividades. A natureza faz parte dela e de todo o seu desenvolvimento saudável. A modelagem a ajuda a dar forma na sua relação com o mundo mais concreto. Ela traz os objetos que desejo na brincadeira de modelar na lama. Ela cria e transforma a argila. Todas as formas ao seu redor, redondas, retas, côncavas ou convexas, podem ser expressas.

 

6. – Âmbito das imagens:

 

Histórias e Contos –”Se você quer que o seu filho seja brilhante, conte a ele conto de fadas, se você o quer muito brilhante, conte-lhe ainda mais contos de fadas – Albert Einstein, físico/cientista.”

A criança necessita o alimento dos contos de fadas, assim como o corpo físico precisa de alimento. Os contos trazem imagens, eventos e desafios que são enfrentados e superados. As crianças percebem que a verdade, a beleza e a bondade provêm de pessoas e da vida. O calor e a atenção que colocamos quando contamos oralmente é algo que nenhum livro ao ser lido pode trazer.

As crianças ouvem o conto e criam as imagens da forma que mais lhes convêm, de uma forma criativa que nenhuma ilustração de livro poderia trazer.

As crianças de 5/6 anos já conseguem se concentrar numa história maior e recontá-la. Ela sabe discernir as imagens dos contos e o que é real na vida do dia a dia.

A narração oral proporciona um contexto rico que depois levará a criança a ter interesse pelos livros. Pois através dos contos ela terá o prazer de ler pelo prazer de entrar nas imagens e no conhecimento que a língua e a rima trazem.

As imagens dos contos de fadas contam a história das pessoas, de todos os tempos. Ela entra em contato com qualidades essenciais. Os contos de fadas são uma parte vital da educação moral de uma criança.

Não devemos interpretar os significados dos contos ou avaliá-los, comentado com a criança, moralizando a história. Contamos uma história sem dramatizar (sem mudar o tom de voz). Para as crianças maiores e mais acordadas, escolhemos contos maiores, com mais heróis e desafios.

 

7. – Âmbito do Brincar – atividade do movimento:

“O Ser Humano brinca quando é Ser Humano no pleno sentido da palavra e somente é ser Humano quando brinca. – Friedrich Schiller, poeta/escritor.”

O que é mesmo o brincar infantil?

O brincar é um impulso da criança, pura expressão, que corre como um rio e nós adultos somos as margens que servem de sustento para essa corredeira. O brincar é como uma força da natureza, como as águas do rio, para as quais não podemos ensinar nada, pois elas correm por si. O brincar, o lúdico é a forma da criança se expressar, imitando tudo ao seu redor e trazendo a sua linguagem imaginativa da fantasia.

A fantasia é o impulso criativo pelo qual a criança elabora as impressões, decodifica e manifesta trazendo a sua força de vontade de se colocar no mundo com sua individualidade.

Nos damos conta que as crianças em muitos lugares não têm mais o direito de brincar pelo simples prazer da brincadeira. Parece que tudo o que está relacionado com o brincar precisa render conhecimento imediato. Os adultos idealizam que os brinquedos têm que ser pedagógicos. Já se perdeu o bom senso do que é ser criança, da necessidade que ela tem e dos processos infantis necessários para o seu desenvolvimento.

No mundo infantil não deveria caber a palavra “pressa”. Leva-se tempo para crescer, para construir um corpo saudável que sirva de base física para todo um desenvolvimento anímico espiritual posterior. Para isso temos a infância, que deveria ser permeada pelo: brincar; desenhar e expressar livremente; natureza: terra- areia-água-chuva-sol- calor-vento-ar; correr- balançar – pular corda; atividades caseiras para a criança imitar; ritmo saudável; bom sono; boa alimentação; espaços amplos; etc.

O que vemos hoje são muitos pais e mães brincando com seus filhos no sentido de direcionar o seu brincar, sem deixar que surja espontaneamente, porque os seus filhos já não sabem mais como brincar.

Esta é uma capacidade que esta se perdendo, pois o meio social deixa a criança muitas vezes isolada de outras crianças, ou sem ter os adultos fazendo algo que possa ser imitado por ela, como por exemplo, um adulto fazendo um trabalho caseiro, limpando um carro, lavando uma roupa, cozinhando, arrumando algo na casa, serviço de marcenaria, cuidando de um jardim, afazeres úteis e com significado para a criança.

O que se vê em contrapartida são brincadeiras agressivas, violentas, tiros, chutes e gritos, que brotam de imagens vivenciadas na frente da televisão ou jogos eletrônicos.

Somente no brincar a individualidade da criança é misteriosamente visível, quando ela “ensaia” de modo lúdico no brinca, atuado, criando, se relacionado, construindo, experimentado, refazendo; tudo o que depois será requisitado quando adulto. Isto é, se mostrar firmemente situado na vida e tomando decisões responsáveis.

Por isto o brincar na infância fundamenta como nos direcionaremos ativamente e mentalmente em relação à vida, quando adultos.

Partindo deste panorama, como podemos resgatar esta atividade tão vital para a criança? Como podemos ser facilitadores deste brincar?

Certamente é um caminho de aprendizagem.

O que ajuda a criança a entrar no âmbito da imaginação é se os pais/educadores acessarem suas próprias forças imaginativas e lúdicas.

Contando contos, histórias infantis sem pedir que a criança elabore um julgamento ou comente a história. A criança deve ouvir o conto e simplesmente entrar nas imagens, sem indicações ou interferências do adulto. Os pais deveriam contar contos pelo prazer de contar e viver os contos juntos com as crianças.

Deste modo oferecemos momentos mágicos de criação onde “o tempo para” e as crianças se sentem encorajadas a brincar a partir da profundeza de suas almas, das lindas imagens dos contos. Em algumas ocasiões os adultos poderão testemunhar que a criança está ativa no brincar como se estivesse numa diferente estado de consciência. Podemos pensar: “O que a criança esta fazendo?”.

É bom observar a criança brincando, ouvir e entender que o brincar é importante e tem em si a possibilidade de cura, de alimentar e fundamentar a saúde para toda uma vida.

O brincar não direcionado é chamado de “brincar autêntico” e é caracterizado por:

- • liberdade de metas a serem alcançadas;

-• sentimento de “o tempo está parado”;

•- devoção e concentração;

•- atenção e identificação com a ação realizada;

•- fluidez, movimento e transformação;

•- profunda satisfação ao terminar um brincar.

 

A criança de 3 e 4 anos brinca imitando e se expressando. A de 5/6 anos planeja antes o brincar e se interessa por tarefas definidas. Ela organiza com os amigos as atividades. A criança de 5/6 anos realiza grandes explorações aonde toda a natureza ao redor participa. Assim ela tem a chance de experimentar e vivenciar as noções de seu próprio corpo, desenvolvendo a agilidade, a coordenação motora, imagem corporal, noção espacial, equilíbrio, que são importantíssimos para o seu desenvolvimento escolar mais tarde.

Os diferentes tipos de brincar são observáveis na criança pequena e podem ser vistos como cada uma tem uma afinidade conforme as qualidades desenvolvidas por cada criança.

Há brincadeiras que se relacionam mais com as imagens internas que ela traz, outras que expressam o interesse da criança em criar algo novo, ou também imitar algo vivenciado por ela, trazendo imagens externas.

Podemos assumir que a presença de todos os elementos no brincar indica equilíbrio no desenvolvimento da criança. Entretanto, ao estudar estes diferentes tipos de brincar a pessoa descobrirá que há preferências e inclinações da criança em relação a um ou outro brincar e esta “unilateralidade” pode ser a chave para entendermos as diferenças individuais entre as crianças.

O brincar saudável engloba vários aspectos. A criança esta atenta e focada, é capaz de perseverar com relação ao que lhe interessa, é curiosa, explora e traz novos temas para brincar. É vivaz, energética, é capaz de tolerar frustrações leves, respira normalmente, às vezes profundamente, fala de modo relaxado, mostra sinais de satisfação no brincar. Move-se num fluxo contínuo de ações, brinca geralmente incluindo os outros, zela pelos seus amigos.

Não podemos fazer uma criança brincar quando ela não quer, pois o brincar é um ato relacionado à vontade e cada um é dono de sua vontade e faz com ela o que quer.

Como então podemos ajudar neste processo?

Não sermos tão sérios com relação à vida, devemos ter mais leveza no nosso ser, nas relações e ações.

Como repetir uma tarefa que fazemos diariamente, mas de um modo diferente, que nos empolgue sempre de novo?

Isso como exemplo para que a criança possa imitar e levar para o seu brincar. Sugerimos praticar as artes, pois estimula a criatividade.

Como está o ambiente da criança onde ela brinca? Tem espaço para ela? Ela é incluída nos afazeres diários de uma casa? Ela vê o adulto ao seu redor trabalhando em tarefas úteis e com sentido? Que tipo de brinquedos ela tem contato? Há brinquedos de várias texturas, ou seu mundo esta envolto em plástico? Seus bonecos e bonecas são aprazíveis para serem segurados e lidados com carinho ou foram inventados por alguém para aumentar a conta bancária de algum produtor de filmes ou apresentador de TV? Seu filho vê muitas horas de TV por dia? Quem o acompanha nesta hora? Você tem certeza do que ele vê é adequado? A criança escuta histórias contadas por um adulto? Existe um ambiente de veneração ao redor da criança? O adulto ao redor consegue poupar a criança de conversas de adultos, de idas frequentes a shoppings ou supermercados? Você caminha com seu filho, na rua ou na natureza? Ela tem espaço para realizar movimentos amplos? Ela tem desafios ou é poupado do perigo o tempo todo? Desafios de conseguir pular corda, andar de perna de pau, subir numa árvore, etc.?

A criança precisa de muito pouco para brincar. Engana-se o adulto que compra com frequência um novo brinquedo ao seu filho/a achando que assim está facilitando o brincar. Não queremos de modo algum isolar a criança do mundo, mas sim dar a ela o que lhe cabe. Poder digerir aquilo que é da fase em que se encontra, lembrando que cada momento de nossa vida exige uma maturidade.

É aconselhável ter em casa vários panos de diversos tamanhos. Bonecos simples, troncos, cestos, conchas, pinhas, cavaletes, cadeiras que a partir delas cabanas possam ser construídas, potes, colheres de pau, cordas, areia, água, carriolas, etc. Materiais simples e o resto fica por conta da criança.

A criança necessita de tempo para cada etapa, espaço para cada conquista e simplicidade para o seu “Ser” ser o que veio a ser. Devemos assegurar às crianças um direito que lhe pertence: o de ser criança por inteiro!

 

Avaliação da criança no seu processo de maturidade:

A criança é um intenso realizador de seu próprio conhecimento, emoções e comportamento. Aquelas áreas do cérebro que possibilitam funções executivas são as últimas a amadurecer. A criança precisa estar apta a identificar e organizar os passos para completar uma tarefa independente. Para poder estar apta para o aprendizado.

Os educadores devem perceber quais são os processos fundamentais para a prontidão da criança, que é um aprendiz e um executor por excelência, para que ela consiga realizar seus vários objetivos, usando suas inúmeras habilidades executivas, cognitivas, criativas e sociais, imprescindíveis para a alfabetização e todo o aprendizado escolar.

Em torno dos seis anos, a criança perde o impulso da imitação, o que lhe dava segurança. Ela se sente insegura, não quer mais brincar como antes e quer ser igual aos grandes. Ela nos mostra de várias formas que o aprendizado espontâneo está se perdendo e uma nova forma de aprendizado e comunicação está surgindo. Antes ela se interessava mais pelo que fazíamos agora se interessa cada vez mais pelo que falamos.

Mudanças criam inseguranças e nós podemos ajudar. A criança olha para os maiores e quer adquirir suas habilidades. Os pais devem agora ensinar novos afazeres, com novos desafios as atividades de casa. Tudo que é ensinado de forma criativa, aonde é dado um espaço para a criança participar com suas contribuições, isto é o melhor preparo para o futuro pensar rico e criativo.

Não é saudável e enfraquece a criança se insistirmos que ela aprenda as letras, a leitura e a escrita, números e cálculos antes do tempo. Por volta dos 7 anos de idade, a criança em geral nos mostra estar mais apta e madura para a escola.

O ensino, porém, ainda deverá respeitar a maior ou menor prontidão de cada aluno individualmente.

 

Fatores a Considerar em Casos Difíceis:

Ao percebermos algum comprometimento no desenvolvimento neurológico, devemos encaminhar para uma análise mais clínica para então ver a necessidade de um atendimento terapêutico. Nestes casos é de muita importância um trabalho conjunto permeado de confiança e abertura entre pais e escola.

Os meninos nesta idade geralmente apresentam uma defasagem de seis meses em relação às meninas em nível de maturidade.

A não prontidão para o primeiro ano pode se manifestar nos anos iniciais do ensino fundamental, como a falta de força na realização das tarefas, pouca concentração, dificuldade em adaptar-se ao trabalho proposto do dia a dia, não entrosamento nas brincadeiras e atividades artísticas e manuais.

A criança ao entrar no 1º ano escolar, ela entra num novo espaço e numa nova estrutura, com novas exigências e desafios, antes de completarem o tempo necessário de maturação de todas as etapas em todos os âmbitos.

Quantos alunos estão capacitados/prontos?

Crianças que na alfabetização, avaliadas em seu desenvolvimento global e ainda não estavam prontas para atender às exigências escolares, muitas vezes sofrem durante toda sua vida as consequências dessa não observância.

Os pais e pedagogos com boas intenções, porém mal informados mandam as jovens crianças cedo demais para o nosso sistema educacional.

Quando crianças iniciam a escolarização antes de estarem preparadas adequadamente em seu desenvolvimento amplo, isso aumenta dramaticamente a possibilidade delas fracassam.

Quando as crianças entram na escola com mais idade, por volta dos 7 anos, geralmente elas têm um melhor aprendizado. As crianças mais velhas tendem a chegar a resultados acima da média nas avaliações. As crianças mais novas apresentam dificuldades de aprendizagem e consequentemente classificadas como tendo problemas de aprendizagem.

A dificuldade escolar do jovem que foi uma criança que começou a alfabetização mais cedo, sem maturidade no seu desenvolvimento, muitas vezes o persegue durante toda sua vida escolar.

Aquilo que anteriormente era ensinado no primeiro ano, hoje em grande parte já é abordado no jardim de infância. Os problemas que advêm da escolarização precoce já surgem em inúmeras pesquisas realizadas em vários países.

Pesquisas constatam que crianças de quatro a cinco anos têm uma necessidade genuína de brincar e a qualidade e a quantidade do tempo de brincar têm influencias posteriores sobre a capacidade de pensar, capacidade de decisão e a capacidade de lidar com situações difíceis.

As experiências e estudos em diversos países europeus mostraram que os alunos que iniciaram o ensino da leitura e dos cálculos mais tarde aprenderam mais rápidos e melhor. Isso quer dizer que os alunos que entram no 1º ano escolar mais velho, estão mais bem preparados.

A sociedade exige logo cedo muito das crianças. O aprender precoce pode alcançar o contrário daquilo que se deseja. Uma receita segura para ampliar as dificuldades é a aprendizagem sob pressão.

Há indícios de que experiências que são assimiladas com sentimentos negativos, não são registradas. Quando uma aula amedrontar a criança, ela talvez nunca assimile o conteúdo em questão e o ensino futuro terá menos êxito.

 

Atividades que sustentam um desenvolvimento saudável na educação infantil e início do ensino fundamental:

 

1. No recreio podemos incentivar as crianças a brincarem de várias formas:

-Andar em círculo, como nas brincadeiras de roda

-Balançar conseguido sustentar o movimento com as pernas

-Andar na ponta dos pés

-Pular em volta da roda

-Rodopiar no lugar

-Alongar-se para na ponta dos pés com os braços levantados

-Brincadeira de carrinho de mão

-Movimentos de puxa-empurra nos parceiros

-Andar com um saco de feijão na cabeça

-Andar de perna de pau

-Nadar

-Balanço de pneu

-Balanços comuns

-Gira-gira

-Escorregador

-Barras paralelas

-Troncos para balançar

-Se pendurar em barras

-Equilíbrio em cordas esticadas, uma acima e outra em baixo, aonde a criança anda na corda segurando na de cima

-Descer poste de bombeiro

-Andar de carrinho rolimã

-Andar de patinete

-Subir em árvore

-Dar cambalhota

-Pular corda

 

2. Podemos criar uma jornada com as crianças:

-Rolar morro abaixo

-Pular corda

-Pular de um lugar para outro

-Se equilibrar sobre pedras, tocos, troncos e outras superfícies irregulares

 

3. Criar uma trilha de obstáculos na sala de aula:

-Rastejar sob-bancadas e mesas

-Saltar sobre uma barra

-Pular de uma cadeira a outra

-Pular da cadeira para o chão, aumentando a altura da cadeira.

-Andar sobre pedregulhos com meias ou chinelos

-Andar para lá e para cá numa viga colocada um pouco mais alta

-Andar em prancha de gangorra

-Andar sobre uma tábua entre cadeiras

 

4. Em sala de aula podemos oferecer:

-Lixar

-Serrar

-Martelar

-Triturar

-Cortar

-Sovar

-Moer grãos

-Carregar objetos pesados

-Misturar massa de farinha pesada

-Servir o chá ou água nas canecas

-Lavar a louça

-Costurar

-Tricô de dedos

-Costuras

 

5. Sentir diferentes texturas:

-Caixa de areia

-Cortar panos de diferentes texturas e feltros

-Sovar a massa

-Brincadeira com água – lavar louça, roupas

-Cestos de sementes e grãos

-Brincar de adivinhar o que está dento do saco, sem olhar

 

6. Ouvir histórias, cantar e tocar instrumentos:

-A cada dia uma criança ascende e apaga a vela para a história

-As crianças escolhem as músicas que mais gostam e catam sozinhas

-Cada um ouve e depois toca um pouco a lira ou o xilofone, repetindo o que ouviu

 

7. Pintar, desenhar e modelar:

-Desenhar todos os dias, é uma alegria.

-Folhas em branco e de preferência grandes, para que a criança possa desenhar se expressar, trazer suas formas livres, linhas e cores

-Pintar com aquarela ou guache, no papel grande e molhado, para que a criança possa viver as cores, brincando com o pincel, vendo as cores se misturarem e formarem novas cores.

-A pintura é um momento que necessita de concentração, cuidado com as tintas, o uso do pincel, várias habilidades para a criança de 6 anos

-Modelar com argila- fazer potinhos, bolinhas, suporte de velas, panelinhas, pratinhos, bichinhos, caracóis.

 

Conclusão:

Por muitas vezes os adultos julgam as crianças dizendo assim: “Ela poderia fazer melhor se quisesse”. Seria mais acertado dizer: “Ela faria melhor se pudesse”.

A criança em seu ambiente deve ser envolvida por segurança, beleza e alegria vivenciando um mundo bom pertinente à infância e desenvolvendo-se física, anímica e espiritualmente.

Ela tem uma força incrível de viver e agir no mundo, aprender, cair e tentar inúmeras vezes, sem desistir, com a perseverança e alegria da conquista.

Cada criança nasce com a esperança de encontrar pessoas que olhem atentamente para ela, de forma a compreendê-la, então assim ela poderá viver a vida em confiança.

A criança necessita de:

- Adultos que a respeitem, a compreendam e sejam calorosos.

- Ambientes cuidados com segurança e beleza.

- Bastante espaço, tempo e simplicidade nas atividades para poder ser ela por inteira!

 

Texto elaborado por Maria Chantal Amarante.

Professora por 30 anos da educação infantil e ensino fundamental.

Conselheira, colaboradora e palestrante da Aliança pela Infância e da

Associação Sophia de Educação Antroposófica.

2 Comentários

  1. amei este texto,continue construindo textos como esse ou melhor,ajuda-nos muito na área psicopedagógica. por favor envie esse para meu email;paraserfelizbastacre@gmail.com

  2. Sheila Jacqueline |

    Parabéns pelo teor pedagógico apresentado de forma esclarecedora que ajudou eu meu entendimento,estou trabalhando à dois meses na Ed.Infantil(Maternal II & III),Escola Municipal Cecília Meireles em Nova Friburgo-RJ.

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